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Como se morre

A morte pode vir de maneira súbita (rápida) ou lentamente (agonizante), de causa natural (esperada: velhice, doenças terminais ou degeneração) ou violenta (pela força: homicídios, suicídios e acidentes).
Podemos não ter certeza se iremos casar, ter filhos, fazer uma faculdade ou uma viajem, mas uma coisa é certa: morreremos. A morte pode chegar hoje ou daqui a sessenta anos. Dela ninguém escapa. Todos a experimentarão, mais cedo ou mais tarde.

O que se sente na hora da morte
       Inúmeras pessoas que no decorrer de acidentes, doenças ou ferimentos graves, estiveram próximas à morte; e pessoas que – enquanto morriam – relataram experiências que continham elementos comuns:
·         Sensação de paz e tranqüilidade;
·         Alívio de tensão e;
·         Ausência de dor.
A expressão facial, que anteriormente poderia apresentar dor e angústia, torna-se serena. Por isso comenta-se sobre alguém que morreu: “parece que está dormindo”.
         Aqueles que têm força e amor para ficar ao lado de uma pessoa que está morrendo, saberão que tal momento não é assustador nem doloroso, mas um cessar em paz do funcionamento do corpo.
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Ajudando a Morrer

Médicos do mundo inteiro estão gastando o melhor do seu tempo para conhecer o metabolismo celular e pesquisar novos medicamentos, aparelhos, técnicas e procedimentos para diagnosticar doenças, preveni-las e, assim, prolongar o inevitável a morte.
Infelizmente, com o desenvolvimento científico o morrer tornou-se mais solitário e desumano. Geralmente o doente é confinado em um hospital, estando as pessoas mais preocupadas com o funcionamento de seus pulmões, secreções e não com o ser humano que há nele. Estando muitas vezes sofrendo mais emocionalmente e espiritualmente que fisicamente.
Os hospitais, sem dúvida, têm prolongado a vida, mas não ajuda a morrer. Nestes casos, estão envolvidos, principalmente, o despreparo de muitos médicos em lidar com a morte e a ganância de alguns hospitais por lucro.
Os sinais que possam alertar o doente do seu verdadeiro estado terminal são cuidadosamente afastados. O sacerdote só é chamado à cabeceira do leito do moribundo quando este já perdeu a consciência ou quando já está definitivamente morto.
O que se vê em muitos hospitais, geralmente, é um comportamento defensivo de faz-de-conta: o médico faz-de-conta que trata, a família faz-de-conta que acredita no tratamento e o moribundo faz-de-conta que está melhorando. O resultado é que as pessoas estão morrendo sem saber que iam morrer. Caberia nesta etapa da doença não mais a cura médica, mas o assistir, servir, ajudar e cuidar. Para uma morte mais tranqüila e humana.
Onde fica a esperança? Como diz o ditado: “A esperança é a última que morre”.
A aceitação da morte não excluí a esperança de cura. Enquanto houver um fio de vida, deve haver esperança na descoberta de um novo tratamento ou medicamento ou, ainda, a ocorrência de um milagre.
Está provado que pacientes que perdem a esperança de cura morreram mais rápido. Mas não podemos confundir esperança com ilusão, fé com presunção.
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Desaparecimento da Morte

A morte tão presente e doméstica no passado vai se tornando vergonhosa e proibida no presente.
Na sociedade moderna não se pensa na morte e se fala dela o menos possível. A morte deve “desaparecer” do cotidiano das pessoas. Para tanto, são utilizadas duas estratégias básicas: a negação e a camuflagem.
a) A negação da morte
         Freud explica que o inconsciente não conhece a morte nem o tempo: o homem se sente imortal. Nas guerras o soldado marcha contra o fogo acreditando que não vai morrer, mas sente perda do soldado ao lado. Negamos a morte ao considerá-la como algo que só acontece com os outros.
Também negamos a morte não falando nunca sobre ela. Por exemplo: a uma criança cujos pais morreram num desastre é dito que “eles foram fazer uma longa viagem”; num hospital o paciente não morre, “entra em óbito”, “expira”, “perde-se na mesa”, na guerra o soldado não morre, “tomba em campo de batalha”; nos comunicados de acidentes não se fala em mortos, mas “desaparecidos”; o morto na linguagem policial é um “presunto” e o morrer um “apagar”. Até os crentes não morrem, “descansam”.
b) A camuflagem da morte
A segunda estratégia para fazer “desaparecer” com a morte é camuflando-a. Milhares de pessoas morrem diariamente, mas tudo se passa na sociedade como se ninguém estivesse morrendo ou morto. Nos hospitais, se o monitoramento médico prevê a morte eminente de um paciente em uma enfermaria, ele é rapidamente e discretamente deslocado para um quarto privado ou oculto atrás de um biombo. Quando por “descuido” alguém morre na enfermaria, imediatamente começa uma engenhosa operação para fazer “desaparecer” o corpo do morto. Geralmente, a enfermeira simula um diálogo com o “paciente” propondo levá-lo para um exame qualquer, enquanto um auxiliar o coloca num carrinho ao mesmo tempo em que se interpõe entre o rosto do falecido e os expectadores (demais pacientes ou visitas) do quarto, retirando-o dali. Tudo se passa para não chamar a atenção dos vivos com assunto tão “desagradável”. Se algum paciente pergunta pelo colega que foi fazer o tal exame, diz-se que foi transferido de hospital ou recebeu alta e foi para casa. Assim, a morte desaparece e todos ficam em paz. 
Uma vez atestado o óbito, o hospital entrega o falecido à família que o repassa a uma funerária. O velório é realizado num lugar neutro como se fosse uma recepção. Não é preciso dizer que as crianças são cuidadosamente afastadas dessa cerimônia tão “traumatizante”. No cortejo fúnebre o morto é levado num discreto furgão disfarçado de ambulância para um cemitério que cada vez se parece menos com tal. Isto quando não é incinerado (cremado) de uma vez por todas poupando cerimônias fúnebres, peregrinações ao cemitério, gasto com flores, caixão etc. O luto, segundo os novos costumes, deve ser contido para não perturbar os vivos com sentimentos tão “negativos”.
Eis no que a sociedade moderna reduziu a morte: algo irreconhecível.
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O que é Morte?

A morte não é um fato único e instantâneo. É o resultado de uma série de processos de uma transição gradual. Não há consenso entre as áreas das ciências biológicas, jurídicas e sociais quanto ao momento real de sua ocorrência. Cada campo do conhecimento e ramo da medicina tomou um momento desse processo, adotando-o como critério definidor da morte. A Medicina Legal optou pela etapa da morte clínica.
 Os mais variados e sutis estados intermediários entre a vida e a morte, denominados “estados fronteiriços”, “estados de vida parcial”, “comas ultrapassados” ou “morte aparente”, levou a legislação civil a impor prazos mínimos para a implementação de certos procedimentos como a necrópcia e o sepultamento.
Atualmente, o conceito mundialmente aceito de morte é acessão da função cerebral, a chamada morte cerebral. A atividade neurológica é a única das funções vitais que, até o presente momento, não teve condições, apesar dos avanços tecnológicos, de ser mantida por qualquer meio artificial. Daí que a sua extinção seja, praticamente, sinônimo da própria extinção da vida.